Prblanco, o mago das pistas

Olá amigos,

Mais um bate-papo rápido no blog, agora com Prblanco, o mestre das pistas para o GP4. E só para o GP4 pois se ele quisesse poderia fazer maravilhas para o rFactor, GTR, Nascar…

Fui direto ao ponto, logo perguntando por Singapore night. Bem, espero que vocês gostem, eu gostei e muito.

Teremos Singapura noturna algum dia?
Acredito que sim. O finlandês TTM já fez alguns testes simulando uma corrida noturna e os resultados foram bons pra uma primeira tentativa. Ainda não foi testado, entretanto, como as várias fontes de luz espalhadas pela pista irão afetar a iluminação dos carros. Mas é um começo. Da nossa parte, esperaremos planos mais concretos do circuito para poder desenvolvê-lo, até agora apenas temos rascunhos e mapas fora de escala.

O que levou você a produzir pistas para o GP4?
Desde os 9 anos de idade eu desenhava pistas nos cadernos da escola, até arranjei uma briga com uma professora de português por causa disso! E detalhava, colocava zebras, caixas de brita (na época não tinha área de escape de asfalto), pontes, árvores, subidas, uma tranqueirada. Jogava o GP1 na época mas até eu deixá-lo ninguém tinha conseguido criar uma pista do zero. Comecei a jogar GP4 no começo de 2005, e poucos meses depois começaram os primeiros avanços reais na edição de pistas, graças a um pessoal dedicado, Laurent Lo2k, Shuttle, Maverick, etc. E aí o interesse foi natural.

Qual pista que lhe deu mais prazer e a que deu a maior dor de cabeça?
A pista que mais deu prazer e a que mais me orgulho até hoje é Hungaroring 2006, tanto pelo resultado final quanto pela quantidade de envolvimento que eu tive nela – criei objetos, modelei terrenos – coisas que eu não fazia até então. A que deu mais dor de cabeça foi a atualização de Imola, com a nova Variante Alta. Nessa minha participação foi menor, mas ainda importante, pois fui responsável por descobrir que raios fazia a pista travar em cada ESC apertado. Foram horas de MSN, o Gildoorf e o Ricardo Lampert no trabalho e eu em casa num dia sem aula, discutindo o que poderia ser. Inclusive foi o último trabalho do Lampert até hoje. No final deu certo, mas quando tentei atualizar a pista novamente, os problemas reapareceram e desisti dessa nova atualização.

Como é o processo de trabalho entre você e o Gildoorf?
Em algumas pistas trabalhamos separadamente e um é o beta-tester do outro, geralmente fazendo correções. Essa troca de informações entre nós é muito importante pois garante uma melhor qualidade do resultado final. Já em outras pistas, como está sendo o caso de Sakhir, as tarefas são divididas, por exemplo, o Gildoorf vai modelando novos objetos enquanto eu procuro otimizar o que já existe em questão de desempenho e estabilidade.

Na criação de um circuito o que demanda mais tempo?
Para mim, é a criação do traçado (arquivo DAT). Posso ficar meses e meses assistindo vídeos da pista e fazendo alterações no traçado, enquanto não estiver satisfeito. Queria ficar a vida inteira fazendo isso! Mas claro, isso do meu ponto de vista. Logicamente, a parte visual e 3D também demanda um grande tempo, mas a grande maioria dos autores pelo mundo se dedica muito mais à parte visual do que ao traçado. Eu vejo isso como um erro, pois o traçado é a alma do circuito. Posso citar como exemplo a pista de Jerez que fiz, que mesmo em versão beta foi usada em campeonatos de nível mundial, como LFRS, F1VWC e Hotlaps.de. Acredito que isso seja devido ao tempo que dediquei na criação do traçado, afinal a pista não tem muita coisa além disso!

O que dá mais prazer: os elogios e os inúmeros downloads ou ter a pista finalizada?
São mais como partes de um processo. Ver a pista finalizada e funcionando é um enorme prazer. Vou dar o exemplo de Hungaroring, quando terminada mandei-a para o Gildoorf, Ruboy (ele que fez as novas texturas que deram aquele gostinho a mais na pista) e mais 4 beta-testers. Disse na mensagem que ia junto que, se bugs não fossem encontrados, lançaria a pista em 24 horas. 10 horas depois a pista estava lançada. Era uma satisfação tão grande que não aguentava mais ficar segurando a pista. Claro, nesse tempo relataram bugs e eles foram corrigidos. Depois disso vem os downloads e os elogios, e pela experiência, se a pista é boa, nos primeiros dias em cada 100 downloads um usuário comenta. Se a pista é ruim, é um comentário para cada 20 downloads. Só ler bons comentários sobre a pista também é um prazer e um alívio depois de meses de trabalho.

Qual a base necessária para quem quer se aventurar na produção de circuitos?
Uma familiaridade com algum software de modelagem 3D é recomendada, embora não tão necessária quanto a um ou dois anos atrás, devido aos avanços no GP4Builder, o editor de pistas pro GP4. Muito sobre ele se descobre apenas lendo o manual do programa, em inglês. Do ponto de vista psicológico, é importante que os aventureiros não queiram fazer um hiperautódromo logo de cara! Às vezes os novatos na edição querem resultados muito bons em pouco tempo, e isso não é possível. A edição de pistas envolve muitos aspectos, detalhezinhos, e pra compreendê-los é preciso paciência. Mesmo depois de dois anos e meio na ativa, ainda apanho com alguns detalhes! Estamos tentando dar uma ajuda com os novos tutoriais no blog – mas é um passo em uma maratona.

Você já criou para algum outro simulador?
Não. Joguei o GP3 por um tempo mas não o suficiente para me informar de como era a edição nele. Hoje não pretendo fazer trabalhos para outro simulador, pelo menos num futuro próximo, a menos que alguém de fora queira converter algum trabalho meu.

O vírus do rFactor lhe pegou ou seu slogan é “GP4 forever”?
Contaminou e eu fui ao médico buscar tratamento… Falando sério, não migrei para o rFactor por uma série de fatores, principalmente pelo foco que ele tem no jogo online, em detrimento do jogo offline. Não tenho vontade de me dedicar a um campeonato online, com horários marcados, competição ferrenha e às vezes até discussões exageradas. E jogar rFactor offline é um exercício de paciência, ou você aprende a conviver com os “totós” dos carros do computador ou passa raiva. Dizem que a IA do GTR2 é muito boa, mas não cheguei a testar. GTR2 à parte que não conheço, nenhum jogo até hoje conseguiu superar o GP4 nesse aspecto. O GP4 não é eterno, mas se ele tem um sucessor, com certeza não é o rFactor.

Você tem corridas gravadas para depois obter informações sobre a pista em que vai trabalhar?
Com certeza! Tenho toda a temporada 2006 da F1 mais algumas corridas perdidas, Suzuka 2005, Jerez 1994, entre outras. Os vídeos são importantíssimos, as transmissões de TV registram muita coisa que não é possível ver apenas procurando fotos na Internet. O YouTube também é um grande aliado, embora a qualidade dos vídeos seja bem menor. Arrisco dizer que seria impossível reproduzir uma pista fielmente sem uma boa quantidade de vídeos.

Hoje já é possível criar pistas e MOD’s, o que ainda não foi feito para o GP4?
O GP4 ainda tem muitas limitações e cada vez mais parece que vamos carregá-las até o fim dos dias. Algumas coisas não podem ser feitas no jogo, por exemplo: classificação dividida em Q1, Q2 e Q3 como na F1, rodada dupla (como GP2 e WTCC – e consequentemente grid invertido na segunda etapa), pistas maiores que 7 km, mais que 22 carros. Acredito que teremos melhorias sobre o que já existe, mas não outra “revolução” nas capacidades de modificação do jogo, em parte porque não temos notícias de pessoas explorando o jogo de dentro para fora como Madman fazia com o seu GP4Tweaker, em parte porque acredito que alcançamos ou chegamos muito perto do limite do GP4. A realidade é que o GP4 foi feito para não ser modificado, e tudo que se tem hoje é uma grande vitória.

Das novas pistas que surgiram na F1 tem alguma que você goste?
Das que surgiram nos últimos cinco anos, a que mais me agradou foi a de Istanbul, na Turquia, tem um bom conjunto de curvas, a famosa curva 8, várias subidas e descidas, e não tem um retão de 1 km. Diria que entre as novas é a que tem mais “personalidade”.

Qual a sua opinião sobre o trabalho do sr. Hermann Tilke?
Pessoalmente não gosto. Com exceção de Istanbul que citei acima, todas as pistas dele são alguma forma e combinar 1 km de reta com um hairpin tão fechado quanto possível. No geral faltam curvas que desafiem o piloto, e isso combinado com a nova política de segurança dos autódromos, com metros e metros de asfalto fora da pista, acaba fazendo com que os pilotos não se importem em passar do limite. Segurança deve existir sim, mas na minha opinião, assumir riscos também deve ser parte da F1.

Quais as pistas que você mais gosta?
Existem várias seções de circuito pelo mundo que me agradam. Exemplos, a chicane Nurburgring em Magny-Cours, o Laranjinha em Interlagos, curva Sito Pons em Jerez, 130R em Suzuka… várias. Mas no conjunto da obra quem leva é Spa-Francorchamps. Além de ser um ambiente fantástico cravado numa floresta, tem uma combinação de curvas impressionante, como Pouhon, Blanchimont, e claro, Eau Rouge.

Nota do bog: Se você joga o GP4 e não conhece o trabalho da dupla Prblanco/Gildoorf então você está perdendo tempo, visite o site para saber muito mais.

9 Respostas para “Prblanco, o mago das pistas”

  1. Vinicius Vianna Disse:

    Realmente, uma entrevista de peso.. o Mago das pistas com o Mago dos renders… parabés ae Jorge e sucesso ao Blanco!

  2. Fernando P. Lima Disse:

    Grande Blanco! El Mago das pistas e das corridas também, só achei que foi pequena a entrevista, mas para começar ta excelente.

    Se o Blanco fizer todas as pistas do GP4 pode ter certeza que não terá nenhum bug, o cara é caprichoso demais.

    Parabéns ao Jorge Paes pela iniciativa do interrogatório, quer dizer, da entrevista!

  3. Caio Signorelli Disse:

    PARABÉNS aos 2 pela entrevista, muito boa !!! Jorge Paes o novo Jô Soares ? hehehehe…

  4. Arthur Justini Disse:

    ual… acho que estão todos apreensivos para ver essa nova pista 0_0

    o cara realmente é um gênio… e muito dedicado !!

    Parabéns pela entrevista Jorge…

    Muito bacana mesmo

    Abraço

  5. MOACYR Disse:

    Escolhendo a dedo cada entrevistado, são figuras importantes ao nosso mundo GP4.
    Já tive oportunidade de trocar alguns e-mail com o PrBlanco… e aquele assunto da pista real/virtual não morreu não, não tive foi tempo de correr atras, mas ainda é um projeto a ser pensado

  6. Edu Stadulni Disse:

    EXCELENTE ENTREVISTA…
    EXCELENTES RESPOSTAS…

    Parabéns ao Blanco pela dedicação à nossa diversãozinha… o GP4…

  7. LEONARDO Disse:

    muito bom, só queria que ele e o gindolf terminassem a pista de poul ricard com traçado longo de 1990, é muito show tem muita gente que queria que ekes terminassem o projeto

  8. Circuito de Valencia para o GP4 « Blog do Jorpaes Disse:

    [...] para conhecer um pouco mais sobre o trabalho da turma do F1 Virtual, no bate-papo que o Prblanco deu para o [...]

  9. josias blanco Disse:

    Sou iniciante mas completamente apaixonado pelo jogo.
    Parabéns aos dois.

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